segunda-feira, 20 de maio de 2013

Relato de Campanha Capítulo 1: A convocação do Rei

As ruas estão cheias no centro de Ardhi, o mercado como sempre agitado, com as cores e os cheiros das especiarias e mercadorias instigando os sentidos de cada cidadão. Mas há um ar de preocupação, as pessoas parecem confusas e temerosas.

Ardhi sempre teve fama de ser um reino hospitaleiro, com um povo gentil e prestativo, mas nos últimos meses isso tem mudado. As pessoas andam cada vez mais centradas em si mesmas, e tem se tornado questionadoras, principalmente das leis morais que sempre regeram o reino, alguns questionam até mesmo a autoridade do rei.


O mercado está agitado, mais do que de costume, as pessoas que antes negociavam amistosamente para obterem um valor justo que satisfizesse a ambas as partes agora parecem estar dispostas a tudo para obter vantagem às custas do outro, alguns até elevam a voz e trocam ofensas.

Em alguns lugares nos becos e ruas menos movimentadas do centro da cidade pessoas desconfiadas negociam produtos e serviços que antes eram considerados proibidos e ofensivos por todos do reino, mas que agora vêm se tornando cada vez mais aceitos pela população.

Então o som do galope de muitos cavalos se faz ouvir por cima da algazarra dos mercadores e negociantes. Os arautos do rei passam pelas ruas em suas armaduras reluzentes e imponentes se dirigindo ao Parlatorium na praça central. Todos sabem o que isso significa, uma mensagem do rei será transmitida para o povo de Ardhi.

Gamaliel D'Hugo, um jovem "Defensor da Fé" valente e conhecedor das Escrituras, chega ao Parlatorium.  Junto dele estão alguns outros jovens companheiros, Léo D'Aline, um caçador e exímio arqueiro; Bruce di Stella, soldado recém saído da Academia Real, guerreiro extremamente habilidoso no uso de suas duas espadas; Davi di Bianca, pastor de grande coragem e habilidade e Antígona de Sibelle, um soldado dotado de grande inteligência e sabedoria. 

Os arautos do Rei terminam de posicionar-se com seus cavalos de costas para a torre central do Parlatórium, todos agora olham para os vinte imponentes cavaleiros vestidos em suas armaduras douradas e capas vermelhas e no momento em que o último cavaleiro se posiciona na plataforma de pedra mais quatro imponentes figuras surgem no alto da torre do Parlatórium, colocam-se de costas um para o outro de forma que suas vozes possam propagar-se em todas as direções e todo o povo possa ouvir, logo em seguida faz-se ouvir o toque simultâneo de suas trombetas e como num coro rigidamente ensaiado começam a proclamar:

- Povo de Ardhi, reuni-vos e ouvi as palavras de vosso soberano, o Rei. - Homens e mulheres valentes e íntegros, um mal que ameaça a todos os moradores do reino. Vós que estais dispostos a lutar por vossos irmãos, irmãs, filhos e filhas, sigais a estes meus arautos e eles vos conduzirão à minha presença onde detalharei vossa missão. Os que dentre vós aceitardes receberão honra e galardão, serão convidados a morar no palácio real, fazer parte da corte real e serão sagrados Guardiões de Ardhi.

Enquanto os arautos descem da torre e preparam-se para partir, os jovens aventureiros arrazoam entre si. Fica claro para eles que ninguém mais do povo deseja enfrentar tal desafio. 

- Que faremos companheiros, diante deste pronunciamento real? interroga Antígona, já prevendo a resposta de seus amigos.

- Ora, a mim me parece clara a resposta à tua pergunta. - Responde Gamaliel com os olhos brilhando e uma convicção que demonstra sua ânsia por combater o mal - Se o Rei precisa de nossos préstimos e nossa habilidades, colocaremos-nos à sua disposição.

Os demais membros do grupo concordam solenemente com um aceno de cabeça e todos seguem em direção aos arautos para apresentarem-se ao Rei. Os arautos prontamente os conduzem pelas ruas da cidade até o castelo e em seguida à sala do Trono, onde o Rei os espera. Os jovens são levados por dois arautos a até alguns metros do soberano de Ardhi e curvam-se em reverência a este. 

A aparência do Rei é impressionante, apesar de sua avançada idade, ele parece manter a força e o vigor e mesmo sabendo de todas as histórias sobre as conquistas e batalhas que aquele homem já enfrentou, os jovens não deixam de perceber a bondade e a justiça que o rei parece emanar. A alegria fica estampada nos olhos do monarca ao ver o jovem grupo. 

- Bem vindos bravos guerreiros. Erguei-vos e que a graça e a proteção do Deus dos Exércitos repousem sobre vós. Antes de discursar sobre vossa missão, gostaria de conhecer-vos melhor. Apresentai-vos a mim por favor. - a voz do rei é suave mas poderosa. 

- Obrigado Majestade, se me permite, desejo apresentar-te meus companheiros. - Declara Bruce, o jovem Soldado Real, já acostumado com os protocolos do castelo. 

- Sim, continue por favor. 

- Este, é Gamaliel D'Hugo, guerreiro sagrado, defensor da fé no Deus vivo e estudioso das Sagradas Escrituras. - diz o soldado enquanto aponta para o guerreiro vestido com uma couraça de metal muito bem polida e ostentando em seu braço esquerdo um escudo e presa ao cinturão uma maça. 
O jovem Gamaliel acena com a cabeça em reverência e Bruce continua sua apresentação, agora apontando outro jovem vestido com um peitoral de couro rígido e roupas de caça, trazendo às costas um arco e uma aljava cheia de flechas, em seu braço esquerdo um pequeno broquel era sua defesa contra ataques inesperados e de seu cinto pendiam uma espada curta e sua fiel boleadeira. 

- Este é Léo D'Aline, homem das matas, exímio caçador e detentor de uma fé inabalável.

- O próximo é Davi di Bianca, pastor de ovelhas, valente e fiel a Deus, possuidor de grande habilidade física. 
O jovem Davi talvez fosse o mais simples de todos, mas não o menos preparado para aquela missão, suas roupas de couro comum talvez não lhe proporcionassem a proteção que os outros do grupo tinham, mas sua agilidade e o domínio que apresentava na utilização do cajado e da funda era tudo o que ele precisava.

- Por fim, Antígona de Sibelle, majestade, Guerreiro e sábio, Antígona é capaz de resolver os mais difíceis enigmas já apresentados. 
A aparência esguia de Antígona não era a mais apropriada para um soldado, mas sua força não estava nos músculos ou em sua couraça metálica, estava em sua inteligência e sabedoria, ademais com sua besta nas mãos era quase invencível.

- Agora que já vos conheço posso apresentar vossos nomes a Deus em oração para que vossa missão obtenha êxito. - disse o Rei com uma seriedade que deixava clara a sua preocupação - Há algum tempo nossas patrulhas tem relatado acontecimentos estranhos nas montanhas ao norte do reino e pessoas que viajaram para aquela região retornaram estranhas e confusas, fazendo coisas que contradizem a moral e os bons costumes. Alguns dizem que uma criatura maligna está vivendo naquela região e tem gradativamente aumentado seus domínios. Além disso alguns de nossos maiores tesouros desapareceram misteriosamente da sala do Tesouro. Suspeitamos que foram, de alguma forma, roubados pela mesma criatura. - equanto fala   semblante do soberano de Ardhi torna-se triste e sua voz fica embargada.

- Vossa missão é ir às montanhas do norte, investigais e se necessário for, destruais tal criatura e recuperais nossos tesouros. Entre eles estão o Cinturão da Verdade, um cinturão sagrado que dá a quem o usa o poder de discernir a verdade. O Cajado da Corajem e da Verdade, um cajado que dá ao seu portador coragem para não se desviar da verdade e guia os seus passos. E por fim a Coluna da Fé, que na verdade é o grande livro sagrado que quando colocado no centro de um lar dá a este uma sustentação sobrenatural contra ataques inimigos. Para isso meus sábios vos entregarão alguns itens que serão de grande ajuda ao cumprimento da vossa missão. Se não tiverdes nenhuma pergunta,podeis ir. Amanhã pela manhã um grupo de soldados os conduzirá até a entrada da floresta.

Continua...

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