sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Resgatando o heroísmo para as mesas de RPG

Olá amigos do RPG Cristão.

Estou de volta, depois de uma semana caótica (para usar um termo bem RPGístico), mas vamos lá. O artigo de hoje é uma "continuação" do "O heroísmo está fora de moda?"

Pretendo falar um pouco sobre como trazer de volta os atos heróicos para as nossas mesas, ou como tentar reduzir um pouco a inversão de valores que está fazendo com que o mal seja mais "interessante" do que o bem.

Uma boa dica é acompanhar de perto a criação dos personagens e pedir que sejam elaborados os famosos "Backgrounds", peça para os jogadores definirem os motivos e objetivos de seus personagens. Isso além de te deixar familiarizado com a história dos personagens vai ajudar bastante na montagem das histórias da própria campanha ou jogo. Você poderá também "negociar" com os jogadores, caso perceba que alguma característica do personagem tem potencial para estragar a diversão insira na criação dos personagens elementos de equilíbrio, que formem um freio moral para os personagens, ou seja, por pior que ele seja algum ponto de contato com o bem ele tem. Talvez um fato do seu passado ou um personagem que compreenda suas frustrações, entenda onde ele se perdeu e consiga impulsioná-lo de volta para o caminho do heroísmo, um amigo inesperado ou um familiar perdido que reaparece (filho, amor antigo, pai mãe ou tio) quem sabe, lembram-se do Anakin Skywalker e seu filho Luke?
Evite a formação de um grupo totalmente alinhado para o mal, as chances de um herói num grupo deste tipo são mínimas, insira elementos de equilíbrio também no grupo de forma que os personagens com alinhamento para o bem formem um freio moral, impedindo que o grupo se torne um bando de baderneiros. 
Outro ponto a ser abordado é que quando os jogadores entram no cenário do jogo eles têm uma falsa ideia de que seus personagens estão acima das leis e podem fazer tudo o que quiserem. Na verdade em alguns casos há uma tendência talvez inconsciente de querer fazer e ser no jogo de RPG tudo aquilo que não podemos na vida real. 
Este talvez seja o fator mais difícil de ser tratado nas mesas de RPG. Por um simples motivo, se você começar a impor regras e limites e querer que os PJs, e consequentemente os jogadores se comportem de acordo com um padrão que você acha que é o certo, pode ser que seus jogadores sintam-se presos e limitados e acabem perdendo o interesse pelo jogo ou pela campanha.   
Bom, o que fazer então? 
Faça os jogadores sentirem-se "livres", conceda-lhes liberdade para montar ou escolher seus personagens, poderes e equipamentos. Afinal todos tem direito à liberdade. Mas... como todo porém tem um mas!!! Todos tem o dever de saber que esta liberdade exige certas responsabilidades e que toda ação tem uma conseqüência. Lembram-se do Tio Ben do Homem Aranha? 
"Com grandes poderes vem grandes responsabilidades."
"Teje" preso rapazinho. Lugar de mal elemento é na cadeia.
Mostre aos jogadores logo no começo do jogo que as atitudes de seus personagens têm conseqüências que afetam tanto eles quanto os outros. Aqui vale a criatividade, use-a. Se o personagem fez mau uso de sua liberdade, providencie uma forma para que ele saiba que aquilo não foi legal e vai acabar prejudicando-o de alguma forma. Como eu disse, use a criatividade, seja através de um castigo divino, uma rejeição da comunidade, torne-o procurado de forma que ele não tenha um segundo de paz até que se redima da besteira que fez, mas deixe claro que é uma consequência de seu erro. Deixe sempre uma ponta para que o personagem possa se arrepender e reparar o seu erro. Mas mesmo que ele concerte a besteira faça com que o fantasma desse erro volte a acusá-lo de vez em quando (isso pode até dar ganchos ótimos para futuras aventuras).
Outra dica, apele para a emoção dos jogadores, faça-os refletir, coloque os personagens em situações dramáticas. Por exemplo quando eles atacarem sem pensar o guarda da cidade que está somente fazendo o seu trabalho, faça o garotinho com espada e armadura de madeira sair gritando, chorando e debruçar-se sobre o corpo do pai morto e olhar com os olhos cheios de lágrimas para o bando de forasteiros que queria entrar na cidade à força e acabou matando seu pai sem necessidade.
Ou como o grupo reagiria se a briga que eles começaram por causa de uma bebida servida errada provocou um incêndio que destruiu toda a vila, deixando centenas de pessoas desabrigadas.
Por fim, mostre que o crime não compensa e o heroísmo vale a pena. Puna a bandalheira e recompense os atos heróicos.
Forneça modelos em quem os personagens possam se espelhar. Todo mundo tem alguém em quem se espelha, alguém que procura imitar. Dê aos personagens dos seus jogadores heróis ou lendas locais em quem possam se inspirar e possam incentivá-los a trilhar os caminhos heróicos. Quem sabe um grande mestre, ou até aquele grupo de guerreiros que salvou a vila em que os personagens viviam quando criança.
Além disso alguns jogos têm regras e mecanismos para ajudar o mestre nesta função, é o caso de Profecia-RPG (jabazinho básico) e o Agadá RPG, que tem regras de contaminação, que determinam punições e penalidades e até perda de poderes para personagens que infrinjam preceitos determinados por Deus.
Para finalizar, pois este post já está ficando enorme, eu pergunto: E vocês, o que fazem para manter os personagens na linha e incentivar atos heróicos destes?
Afinal porque não utilizar o RPG para combater a inversão de valores e, divulgar valores altruístas, conscientizando esta e as próximas gerações da importância de cultivarmos em nossas mentes e corações preceitos e valores mais nobres do que a ganância, o egoismo e a falta de amor que imperam no nosso mundo atualmente.
Que Deus abençoe a todos.

3 comentários:

  1. Oi Alê!!
    Meu Primeiro Comentário aqui no site, Queria dizer que o Site é muito Legal, Sou Evangélico também e Achei Muito Legal seu Trabalho.
    Essa Semana passada senti falta dos posts mas agente sabe que sua vida é agitada né?
    Gostaria de Fazer "umas" Perguntas: No Rpg, Paladino, é uma Classe que Serve à uma Divindade, No Caso de Evangélicos Teria Algum Problema em Usar essa Classe? E em Relação às suas Habilidades Mágicas, por exemplo, No MMORPG Ragnarok o Paladino tem uma Habilidade que Se Chama Crux Magnum, uma Habilidade Mágica, Porém, Divina. Tem Problema em Se Usar Habilidades "Mágicas" mesmo que Venham de uma Divindade (No nosso Caso, Deus.)?
    Vlw, Deus Te Abençoe.

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  2. Olá Pedro, seja bem-vindo ao RPG Cristão.
    Obrigado, criei este blog justamente porque gosto de RPG e sei da dificuldade que é para nós evangélicos encontrar um jogo que não conflite com nossa fé.
    Quanto ao tempo, realmente, conciliar preparação de aula para Escola Biblica Dominical, pregações, e outras atividades da Igreja com trabalho, um blog e ainda cuidar da família é bem difícil (Depois dizem que vida de crente é chata!).
    Mas vamos às suas perguntas:
    Paladinos são muito legais, um guerreiro a serviço de seu deus para defender a justiça e a sua fé. O único problema é, como você disse, que eles recebem seus poderes de divindades.
    Mas é fácil resolver isto. Se você quer jogar com um paladino, que seja um paladino de Elohim, Iahweh ou ElShadai, que são nomes do nosso Deus, o único Senhor e Criador dos Céus da Terra e tudo o que existe. E toda Glória seja dada a Ele. Os poderes "mágicos"seriam dons dados ao querreiro por Deus para cumprir suas missões.
    Que Deus o Abençoe

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  3. Olá, Alê!

    Muito bom o post sobre heroísmo (os dois, na verdade)! Só agora tive um tempinho para comentar (é como você disse... quem tem compromissos ministeriais não é crente de vida chata MESMO, hehehe).

    Em seu post, você perguntou sobre o que fazemos (nós, leitores deste abençoado site) para manter os personagens na linha e incentivar seus atos heróicos. Eu gosto dos efeitos morais e emocionais que você mencionou. Percebi depois de algum tempo que a perseguição e punição nem sempre geram os efeitos de forma duradoura, mas este remorso de ver as conseqüências de seus atos, esta é uma saída excelente para o problema!

    Mas a minha saída preferida exige uma campanha épica. Gosto de colocar algo muitíssimo maior e mais maligno, ameaçador e terminal que as ações dos jogadores, de modo que eles se sintam impulsionados a participar de algo que salva não apenas a própria pele, mas também os valores que entres eles desprezavam, mas agora vêem como algo central para a manutenção de suas vidas e de tudo o que amam. Quando algo ameaça as peças fundamentais do bem, o mal torna-se mais evidente, não apenas na situação exterior, mas dentro de cada um de nós.

    Continue com seu trabalho maravilhoso com o RPG dedicado Aquele que é digno de toda honra e glória: Jesus, o Messias!

    Fique com a Paz do Senhor!
    Elton

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