segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Profecia, A saga de Mordecay (Ficção) Cap. 2 parte 2


Só foi possível perceber que a aeronave já estava funcionando quando vi pela pequena vigia que o V-jet já estava movimentando-se verticalmente afastando-se do solo e em seguida começou um giro sobre o seu próprio eixo vertical, para logo depois inclinar um pouco o nariz para baixo e começar a movimentar-se para frente. A viagem em si era curta, mas a pedido de Henrique o piloto voou a baixa altitude, contornando as praias da baía o que acrescentou alguns minutos à viagem, permitindo-nos apreciar a vista do lado oriental da baía da Guanabara. O piloto chegou inclusive a passar por baixo da ponte Rio - Niterói. Logo percebi que Henrique fazia questão de trabalhar sempre com os melhores profissionais de cada área. 


Ao nos aproximarmos do Maciço de Itaúna, comecei a vislumbrar a enorme área verde transformada em resort de luxo, a visão era magnífica e à medida que o V-jet se aproximava, mais e mais detalhes do empreendimento se tornavam visíveis. Tudo parecia ter sido feito de forma a obter o menor impacto ambiental na região, havia muito pouco cimento visível, o prédio principal do enorme complexo tinha uma forma suave e arredondada que se fundia ao terreno e de longe parecia ser apenas mais uma colina, somente quando se chegava bem próximo é que as janelas e as áreas envidraçadas se tornavam visíveis. Ao sul do prédio principal uma Estrada de pavimento fotovoltaico de aproximadamente 3,5 km conecta o resort à Barra das Palmeiras, que leva à BR101, Henrique me explicara que a estrada era responsável por suprir todo o complexo, os veículos elétricos que por ela passassem e mais dois bairros vizinhos com energia elétrica limpa e gratuita. 

As únicas construções que se destacavam eram as quadras poliesportivas, o heliporto e o estacionamento que era totalmente arborizado, as piscinas “naturais” construídas com pedras, aproveitavam a própria água do rio, mesmo as piscinas aquecidas e ofurôs eram abastecidas pela água do rio e aquecidas por um sistema de aquecimento solar, o resort também tinha um sistema de reaproveitamento de água que recolhia toda a água descartada das piscinas, chuveiros e torneiras para uma estação de tratamento e depois através de bombas enviava para as descargas e para limpeza. Tudo era feito de forma planejada para evitar qualquer espécie de danos ambientais. 

Quando o V-jet começou a aproximação final para o pouso no heliporto, Henrique cutucou-me e apontou pela escotilha para um prédio que parecia ter sido escavado em uma colina, olhando bem percebi que era uma espécie de hangar e um grupo de pessoas com o uniforme da Saunders Griffon vinha empurrando um aero deslizador com pintura vermelha e detalhes dourados. Na parte de traz do aparelho destacavam-se os dois grandes propulsores e o leme, o veículo tinha um visual bem arrojado, lembrando um carro esporte, apesar do tamanho. 

Então o V-jet diminuiu a velocidade, Pude ver pela escotilha quando a turbina começou a inclinar-se até ficar totalmente na vertical, neste ponto a aeronave que já estava completamente parada fez um quarto de volta sobre seu eixo vertical, apontando o nariz para o norte e começou a diminuir a altitude lentamente. O toque dos trens de pouso na plataforma do heliporto foi sutil, quase imperceptível. Então a voz do comandante soou pelo sistema de alto-falantes: 

- Estamos em terra Henrique. Espero que tenham aproveitado a viagem. 

Henrique não fazia questão de que seus funcionários o chamassem de “senhor”, ele mesmo havia me explicado que tratava seus “colaboradores” sem as “frescuras” do corporativismo, apesar de ser o dono de tudo aquilo, queria ser visto por todos como um amigo. Quando a porta da aeronave começou a abrir-se, nos levantamos e fomos em direção à porta, só então pude ouvir o ruído dos motores diminuindo a rotação até a parada total. Já havia andado em outros modelos de V-jets, no tempo da marinha, mas eram aparelhos militares que não tinham um isolamento acústico tão sofisticado e nem o luxuoso acabamento personalizado. Henrique que havia desembarcado na frente me esperava já fora da plataforma de pouso com um sorriso orgulhoso no rosto. 

- Bem vindo ao Guanabara Royal Eco Resort, meu maior empreendimento e orgulho da minha holding. 

Henrique tinha todos os motivos para se orgulhar do seu empreendimento, num tempo em que a lei determinava limites máximos rigorosíssimos para o impacto ambiental de qualquer construção, o ex-jogador de futebol poderia ficar tranqüilo, pois era obvio que não seria incomodado pela Comissão Ambiental Interamericana, era visível a qualquer leigo no assunto que as instalações do Resort estavam muito abaixo de qualquer limite que a lei determinasse. Era realmente impressionante, as construções integravam-se perfeitamente à natureza. 



Continua...





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